No segundo turno, em Olinda, disputam um casal, dois jovens, um negro e uma mulher. E ambos permaneceram no jogo, e estão firmes, disputando o voto, e ao mesmo tempo, sendo a voz daqueles estratos que, a outrora, nem eram cotados como alternativas de representação política.
Candidato jovem, não é o receituário ideal em nossa cultura política, e o que falar de uma mulher? E se for gay?
Vinícius (PT) e Mirella (PSD), independente do resultado das urnas, já podem se considerar vitoriosos, pois queiram ou não, colocaram no topo da disputa, as vozes e as representações dessas minorias, que diga-se de passagem, quase sempre são preteridas pelo establishment.
Vinícius teve uma vida difícil e batalhou muito para superar os obstáculos apresentados pela vida. Jovem, periférico, negro e homossexual, com certeza, seu perfil, no Brasil, estaria cotado muito mais para as estatísticas sociais, do que para a disputa primeira capital brasileira da cultura.
Já Mirella, mulher jovem, residente no bairro de Rio Doce, tem uma vida muito distante do luxo e da ostentação. Seguiu sua vida amparada na fé e nos dogmas cristãos e está aí, firme querendo ser prefeita da Marins dos Caetés.
Que o povo então, nesse segundo turno, para além do voto, reflita e aprenda um pouco mais sobre as minorias sociais, que, diga-se de passagem, não nasceram para o silêncio, e ter essas pessoas no poder, é no mínimo ensejar uma mudança qualitativa em nosso imaginário e cultura política.
